quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Oração

(afinal, o clima é esse, né?)
;
Papai do céu, eu só quero dizer que estou disposto.

domingo, 13 de dezembro de 2009

sem título

afinal, é só uma pequena confissão, com palavras que não me pertecem:
.
"eu apenas queria que você soubesse"

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ao Falcão

O nosso teatro brasileiro merece muitos e muitos louros por ter dado ao teatro do mundo nomes como Fernanda Montenegro; por ter se apropriado tão propriamente de estrangeiros como o Ziembinski; por ter mudado a cena ao encenamos "Vestido de Noiva" e, hoje, especialmente, por termos, em atividade, uma ave de rapina de um talento que raros têm.
.
Sensibilidade, inteligência, calma, sorriso e uma cena que se faz reconhecer pela qualidade e pela beleza que emociona o mais tolo dos céticos.
.
Acabo de assistir a ode (ao teatro e a vida) que é "Ensina-me a viver" e ao carinho na alma teatral, "Clandestinos".
.
Em um deste dois dias, tive a felicidade de, pela primeira vez, transbordar de emoção.
.
Ao nosso mestre, João Falcão: Axé!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

É...

Tudo o que eu queria, de vez em quando, era, de vez em quando, me esquecer fora da tomada.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Moral da história:

eu ponho a minha mão na sua, você põe a sua mão na minha, para que juntos possamos fazer o que eu não quero fazer sozinho.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Parafraseando

"Quando duas ou mais pessoas estiverem reunidas em meu nome, estarei lá."
.
Aprendi, nesta semana, que Deus e o teatro copartilham da mesma ideia.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sobre um velho companheiro

Ouvi, há bem pouco tempo, que um certo senhor da filosofia afirmou que "o tempo não passa, as coisas é que passam no tempo".
.
A ideia de infinito (e de imortalidade) me pareceu mais dolorida que nunca. O tempo - este petit deus de quem muitos falam e que muitos (como eu, cofessamente) admiram e tentam enteder - se mostrou nessa curta afirmativa o mais solitários dentre todos. Todas as coisas, pessoas, formas, possibilidades, por ele passam, a ele culpam e a ele deixam.
.
Tempo e solidão, parceiros de longa data, nem por isso, amigos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A Narciso

Os espelhos devem ter alguma espécie de encantamento que não sei.
.
"Deve haver algum sentido obscuro nisso", mas aquela imagem (aprisionada) que nunca está lá, exceto quando uma imagem (livre) se põe a sua frente, me pareceu mais forte. Olhei.
.
Os espelhos devem ter alguma espécie de encantamento que não sei.
.
"Deve haver algum sentido obscuro nisso", mas aquela imagem (aprisionada) que nunca está lá, exceto quando uma imagem (livre) se põe a sua frente, me pareceu mais forte. Olhei.
.
Os espelhos devem ter alguma espécie de encantamento que não sei.

domingo, 27 de setembro de 2009

Citação:

"Transformaram-se não apenas as cidades [...]. Modificaram-se também os costumes, evoluíram os homens..."
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
Será, doutor Ezequiel Prado?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Conclusão dois:

amizade tem limites.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
[inclusive as ilimitadas.]

domingo, 20 de setembro de 2009

Espelho

Eu passei por tantas mortes e quase não chorei. Mas, às vezes, dependendo de como o sol se põe por trás da ponte ou de como as nuvens se debatem formando espirais de chumbo no céu, aí eu choro... Um choro que me sacode, que vem em soluços. Eu me entrego sem resistência, em espasmos de tristeza. Eu choro pelo fim da inocência, pela escuridão do coração humano.
Melchior Gabor

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Post comemorativo

pelo aniversário de uma certa Srtª. DuBois.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Luto:

Ailce, pela beleza das rosas e pelo ensinamento displicente.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Aforismo um:

Um oxímoro vital*:
[texto em aberto, ou melhor, em progresso, afinal, pensamento...]
.
Naquela visão mais clássica do que, ainda, chamamos de teatro, uma regra sempre foi categórica: toda e qualquer peça deve ser dotada de um conflito.
.
"Um bonde chamado Desejo" parece ser um dos melhores textos pra exemplificar essa regra, em vários níveis. Não bastasse a batalha constante entre uma Blanche-presente e uma Blanche-em-devaneio - esta não sendo, em nenhuma hipótese, menos real ou menos densa do que aquela -, a peça é assolada, quase que inteiramente, pelo embate dessa Blanche bipartida com o seu (vamos chamar assim, por enquanto) antagonista, Stanley Kowalski. Os dois, num primeiro momento, são contrários desde o âmbito mais simplório: os gêneros, mas, essa contrariedade parece parar por aí. A Blanche-sexo-oposto não é suficiente para perturbar o gên macho-dominante de Stanley, acostumado a lidar com as mulhres "desde os primeiros anos de maioridade, o centro da sua vida [sendo] o prazer com as mulheres, dando e recebendo, não com débil condescendência, subserviente, e sim com o poder e o orgulho de um galo de bom penacho em meio às galinhas." [1]
.
É, justamente, a este segundo conflito que quero me ater. Este que parece ser a pedra fundamental do drama realista de Tennessee Williams e que, como pretendo mostrar, não deixa de ser um confronto de iguais, logo, problemático para ser enquadrado na categoria de "oxímoro" e, só por isso, nenhum outro termo se mostra mais pertinente já que é por conta da igualdade que o confronto se dá.
.
A peça é localizada na New Orleans de final da década de 1940 com todas as questões sociais e econômicas do pós-guerra. Stanley Kowalski é apresentado ao público, logo no primeiro momento da peça, como um caçador "trazendo pra casa a carne crua da matança na selva"[2], como apontará Blanche posteriormente. Numa leitura menos atravessada que a da professora, temos, ali, a figura do provedor, certamente, carregado em algumas cores: toda a sua brutalidade é dada a perceber na primeira entrada da personagem pelo fortíssimo signo que é o seu pacote ensanguentado. Não poderia ser diferente. Se Stanley não é lido, inicialmente, como um bruto ou, como gosta de chamar a aristocrata decaída, um "sobrevivente da Idade da Pedra"[3], não faz o menor sentido a entrada tão marcada de Blanche, momento em que toda a ação da peça parece parar. Posso dizer que esta entrada é, como Barthes entende na fotografia, um puctum, mas, só o é porque o espectador lê, naquela figura incrédula, a fragilidade de uma "mariposa", como descreve a rubrica da primeira aparição de Blanche. Os dois são colocados, então, em instâncias completamente opostas: ele, o rude; ela, a frágil.
.
O primeiro contato de Blanche e Stanley, ainda na Cena 1, parece reforçar esses lugares. Ele, inocente da sua interlocutora, tenta um contato menos formal, logo, mais íntimo, deixando claro, ainda, esses lugares, tão distintos, ocupados por ambos (apesar de nós já termos conhecido uma das facetas cruéis da Srtª. DuBois). Diz ele, depois de ter tirado a camisa, esmurrado a porta do banheiro e berrado por Stella, apenas como uma informação, já que, em nenhum momento, lhe passou pela cabeça mudar de atitude: "Acho que você vai levar um baque comigo, porque eu não sou do tipo refinado."[4] Ela, por sua vez, sabendo (por ora, sozinha, já que a platéia não conhece seu passado ainda) de todas as complicações que podem surgir de uma exposição precipitada, detém-se o máximo possível, em cumprir as formalidades.
.
A cena seguinte mostra o lado intransigente de Stanley, retoma a sua relação com Stella, mais uma vez, apontado para o seu caráter de macho-dominante, revela um lado impulsivo/bricalhão de Blanche - dando pistas do seu passado através de uma acusação displiscente de Stanley - bem como aponta um caminho para ela que, logo, será descartado pela impossibilidade de ser segura e dona de si (como ela se mostra durante toda essa cena, mesmo quando parece perder o controle ao ver Stanley segurando as cartas do seu jovem esposo suicida) nas sircunstâncias, psicológias e financeiras, em que ela se encontra. Aqui o objeto do embate é palpável: Belle Reve, propriedade da família de Blanche e de Stella (logo, de Stanley já que são casados em comunhão de bens e estão, naquele Estado, regidos pelo Código Napoleônico que prevê que tudo o que pertence a esposa é do marido e vice-versa), foi perdida e Blanche não tem, ou não mostrou, os papéis oficializantes da venda nem a verba da mesma. Ela bebeu a fazenda ou a gastou em roupas; essa é a hipótese de Stanley (nós já sabemos que a fazenda se foi em funerais e receitas médicas, pode não ser verdade, mas, é a informação que nós temos e nela devemos acreditar) que vai a termo na investigação dessa história. É o primeiro confronto dos dois. Blanche, num gesto quase alentador, tira da mala o peso de anos de história em documentos e repassa a Stanley. Ela vence. Nesse confronto não há oposições, ou melhor, as forças contrárias têm a mesma energia e agem na mesma intensidade, apesar de ser evidente o maior esforço de Stanley em sair vitorioso. Há, de qualquer maneira, um desejo pelo esclarecimento que é inerente a qualquer ser humano e que, nesse caso especificamente, envolve uma herança (capital). Stella não cobra explicações por ter prcebido o estado deplorável da irmã, por estar sensibilizada pela gravidez e por saber que, de qualque maneira, com ou sem Belle Reve a sua vida vai continuar.
.
Ainda na cena dois, um outro objeto do desejo de ambos aparece e é aqui que a grande batalha começa. Stella, a "irmãzinha" de Blanche ou a "pequena" de Stanley, é o prêmio principal. Além de precisar engolir a seco a primeira derrota (aqueles documentos são, seguramente, a comprovação de que, pelo menos dessa vez, Blanche não tem culpa), Stanley se vê furtado: sua mulher sairá de casa com Blanche unicamente pela possibilidade de a irmã mais velha não aceitar o jogo de pôquer que ali acontecerá. É a primeira vez que Blanche, não propositalmente, invade o espaço de Stanley; enquanto ela estiver ali, o jogo de pôquer será quase uma atividade ilícita, inaceitável. Dois a zero para Blanche.
.
Algumas rodadas e muitas doses depois, começa a terceira cena da peça (aquela que, em princípio, seria A PEÇA: A noite de pôquer). Stanley está com seus amigos, alterado pelo álcool e pelo fato de não estar indo bem no jogo (por azar ou por estar pensando naquela visita inesperada e perturbadora) e as duas voltam para casa, alegres, o que incomoda profundamente Stanley que vai, num crescente de equívocos, tentar [re]demarcar o seu território. 1) Ele agride Stella ao dizer que vai jogar até quando tiver vontade, Blanche ao não permitir que ela sente-se a mesa e a ambas ao pedir que elas, novamente, saíssem de casa e fossem para a casa dos Hubbel, no andar de cima; 2) Ele dá uma lambada na coxa de Stella: atitude que ela, assumidamente, não gosta, mas que, para ele, funciona quase como que um carimbo de propriedade; 3) Ele, forçada e agressivamente, desliga o rádio que Blanche há pouco ligara; 4) Não satisfeito ele atira o rádio pela janela; 5) Ele agride Stella fisicamente; 6) Ele agride todos os seus amigos e quase que os obriga a ir embora. É uma batalha solitária. Stanley não percebe, mas, nesse round, Blanche não estava no ring. Ele perde para ele mesmo. A coisa só não fica pior graças a imensa [com]paixão de Stella que ama esse homem incondicionalmente. Stanley consegue virar o jogo a seu favor, pelo simples fato de se mostrar desarmado e vulnerável como, talvez, Blanche estivesse na sua chegada. Blanche, ao cabo, é a perdedora, fato que ela tentará reaver na cena seguinte.
.
A cena 4 é quase um exercício de retórica. Blanche tenta, a todo custo, fazer a irmã desistir do casamento e ir embora. Trabalho inútil, como se podia perceber desde a cena anterior, quando Stella, visto o estado do seu marido, volta pra casa e tem uma calorosa noite de amor com ele. Aqui nós conhecemos o caráter preconceituoso e a capacidade de julgamento de Blanche. Ela, em um de seus momentos de verborragia, discorre longamente sobre de que forma ela encara a figura do cunhado e de seus amigos, adjetivando-os, no mínimo de gorilas. Stanley, por acaso escuta, junto com a platéia, tudo o que Blanche pensa a seu respeito e, então, parte para um jogo mais ofensivo, sabendo que joga na vantagem de estar em casa e conhecendo o campo de ataque do adversário. Stanley simula a sua chegada em casa, Stella recebe-o calorosamente e Stanley faz questão de mostrar que aquele prêmio, Stella, já é dele. Mais uma vitória de Stanley. Dois a dois.
.
Aqui, e, talvez, eu não precise ir mais longe, claramente, a competição está oficializada, bem como os oponentes. Sabemos, também que ambos combatem em pé de igualdade. Que aquelas fragilidade e delicadeza que Blanche mostrava na sua entrada desapareceu (outro indicador da importância da entrada dessa personagem: ela reverbera em todo o espetáculo; aquela leitura primeira que o espectador teve de Blanche e de Stanley perspassam todo o entendimento). A oposição das personagens passa, agora, a ser entre iguais. É importante perceber o movimento de aproximação do caráter dessas duas personagens, que, apesar de absolutamente parecidos (ele é o rei da floresta, ela, a gata-do-mato) não deixam de ser dois. Dois que, orbigatóriamente, dadas as circunstâncias, precisam coexistir por dois fatores, um: como recurso de dramaturgia; dois: o que diz respeito a própria história narrada.
.
É preciso, para que a peça aconteça, a chegada de Blanche, e mais, as descobertas que são feitas a seu respeito, apontando para um caráter passível de dúvidas, aliás, de todas as dúvidas. É vital para a peça, como tal, que ela, ao mesmo tempo que é absolutamente parecida com Stanley, seja absolutamente oposta. Oposição essa dada pelos momentos de fuga e devaneios. É importante que essas descobertas sejam feitas e propagadas por Stanley, afinal, é ele a figura ameaçada. E, por que continuar ameaçado se eu estou jogando em casa com todas as armas a minha disposição? A crueldade de Stanley (que nos faz sentir pena de Blanche, ao final, como pretendia Tennessee) reside, unicamente, no fato de ele não devanear, por ser absolutamente racional, agindo, assim, da maneira oposta a de Blanche que, por ser impulsiva, age, quase sempre, por instinto de sobrevivência. É esse tipo de atitude que nos causa catarse, é saber que ela fez tudo o que fez para sobreviver e que, contrariamente, Stanley fez o que fez para (vou usar a expressão, apesar de não ser, exatamente, isso) se vingar por "tudo que ela o fez engolir".
.
Sem essa aproximação dos caráteres de ambos, não haveria embate. Stnaley seria o marido provedor, Blanche seria a agregada e tudo se daria de forma passiva. Todas as batalhas cairiam no campo do patético. Logo, essa união de estranhos (com algumas, ou muitas, proximidades) é um dos motes fundamentais desse "Bonde", é o oxímoro que é absolutamente vital para a grandiosidade da obra e, conseguintemente, a compreensão de que, apesar de opostos, os dois tem um muito de próximos, é vital para a compreensão da obra em sua grandiosidade.
.
-----------------------
* Apropriação de um título do semiólogo Patrice Pavis in.: Dicionário de Teatro. São Paulo: Perspectiva, 2007, p. 83.
.
[1] WILLIAMS, Tennessee. Um bonde chamado Desejo. Tradução de Vadim Nikitin. São Paulo: Peixoto Neto, 2004. p.59.
[2] Idem. p. 125.
[3] Idem. p. 125.
[4] Idem. p. 62.

domingo, 6 de setembro de 2009

Iluminação um:

quando um lugar de passagem vira morada fixa.
.
(e nada é mais lugar de passagem do que)
um ponto de ônibus estava se virando morada ou pernoite de uma
negra,
magra,
suja,
mas muito ela, mulher.
.
.
.
.
[o bicho, meu Deus, era um homem!]

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Pensei:

abraço é um prato que consome o frio.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

'tra vez...

Senhores, estou em processo

Há algum, sempre há. Agora ele está congelado, mas dentro em breve ele volta a correr, pois desaprendeu a caminhar em rítmo lento.
Desde que ganhou autonomia e manda e desmanda nas regras mundiais ele resolveu correr.
Despeijem-no. Joguem-no fora. Quem precisa dele?
Todos.
Todos, em absoluto, abaixam as cabeças e desfazem sua trapizongas em homenagem astuta a ele.
Afinal de contas, quem ele é?
O onipresente rei das coisas, o qual é alvo da minha flecha, o que domina o universo deitado em sua confortável rede debaixo de um coqueiro verde e produtivo.
O tempo.
Tempo, tempo, tempo, tempo.
Dez e quinze; Desoito horas e ciqüenta minutos; Três da manhã; Zero hora.
Aquele que nos leva para uma viagem quando esquecemos dele.
Seja o que for, gosto dele, ou o odeio, depende da pressa.

07/Janeiro/2007

domingo, 23 de agosto de 2009

Diágnóstico:

a raiva é uma doença sanguínea.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Diário de bordo

Fui no Tororó
Beber água, não achei.
Achei linda morena
Que no Tororó deixei.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Luto

Miguel Magno, pelo adeus precoce.

domingo, 16 de agosto de 2009

Falando sério [?]

O projeto "Nos palcos acadêmicos" propõe um espaço para a crítica, exposição e diálogos reflexivos com os alunos das Escolas de Artes Cênicas do Rio de Janeiro, sobre seus respectivos trabalhos. Entrevista com Jefferson Almeida, aluno do curso de Teoria do Teatro, da UNIRIO, sobre a montagem que dirigiu de "Calabar, o elogio da traição", na Universidade, e como se dá o encontro da Academia, hoje, com o musical.

by Pedro Struchiner

Mariana Barcelos - Porque montar um musical na Academia se o musical tem certo apelo mercadológico no Rio de Janeiro (influência da Broadway), diferente das propostas de encenação comuns na Universidade?
Jefferson Almeida - Montar um musical, em qualquer circunstância, dentro ou fora da Academia, parece-me sempre desafiador. É uma linguagem cheia de melindres e de códigos que é preciso conhecer. A Academia é o espaço para o conhecimento e a experimentação das diversas linguagens teatrais, desde o naturalismo Stanislavskiano até o teatro orgiástico do Zé Celso, passando por Brecht, pela performance, sendo assim, parece-me ser o lugar mais apropriado para o conhecimento destes tais códigos do teatro musical.

M - Como se deu a escolha por Chico Buarque e Ruy Guerra? A dramaturgia ajuda na "contra-corrente-Broadway"?
J - Eu não acho que ser "Broadway" seja sinônimo de “ser ruim”, então, não vejo porque criar uma "contra-corrente". As pessoas, na Academia, têm, não sei bem porque, certa rejeição pelo teatro musical, como se fosse um gênero maldito, como se fosse extremamente vazio, enfim, como se nada tivesse a dizer; mas, penso, esse "vazio" pode ser encontrado em todos os gêneros, tudo depende do que você escolhe montar e de como o faz. E é aqui, no "o quê?" que entra o Chico e o Ruy. Montar Chico lhe dá todos os álibis, porque o censo comum já gosta antes mesmo de ter visto e, conseguintemente, todos os problemas, afinal tem-se que suprir essa expectativa. Nós queríamos estudar teatro musical, tentar entender esses códigos, mas, queríamos partir de um autor nosso, brasileiro, logo veio o nome do Buarque, e, em seguida, "Calabar", escrita em parceria com Ruy Guerra. Era uma peça com personagens extremamente bem construídos pelos autores, com músicas belíssimas e com uma linguagem muito própria, apesar de inspirada. Este espetáculo bebe muito nas nascentes brechtianas (que, aliás, enquanto vivo, teve suas parcerias com Kurt Weill, recorrentemente, montadas na Broadway), trabalha com a interrupção das cenas, com a fala direta para o público, com o comentário, com a contenção, aí pode parecer uma "contra-corrente", mas não é; é, antes, uma necessidade do próprio espetáculo, que para ser grandioso é preciso ser mínimo. Então a dramaturgia não ajuda na "contra-corrente-Broadway", ela exige a sua linguagem. Esse é, por exemplo, um dos códigos que nós descobrimos durante o processo de montagem: cada peça de teatro musical tem clima, atmosfera e ritmo ditados pelas músicas que o compõe, então, apesar de todas as diferenças, aquela peça sempre será igual.

M - Como você avalia o lugar (ou não lugar) do teatro musical na UNIRIO? Que mudanças podiam haver neste sentido – teóricas e práticas?
J - Antes de qualquer mudança institucional, é preciso que as pessoas, alunos e professores – afinal, são todos pensadores e formadores de opinião – parem de olhar torto para esse gênero tão rico. Tive, no elenco do "Calabar", um ator que revelou, depois de algum tempo em contato com a peça, que estava absolutamente surpreso com o conhecimento das linhas de narrativa, por assim dizer, que era preciso ter para, por exemplo, dizer a primeira fala da sua personagem. Não é fácil fazer musical, como não é fácil montar um Tchekhov; reconhecer essas dificuldades, sem duvidar delas, já é um bom começo. Depois, é claro, eu sugeriria que houvesse, pelo menos, uma cadeira, dedicada ao gênero. Afinal, fala-se mal, sem conhecer os interiores da forma.

M - Existe uma demanda por parte dos alunos por este formato?
J - É claro que existe. "Calabar" surgiu por essa demanda, nós queríamos conhecer o gênero e, depois de começado o processo, descobrimos que muitas outras pessoas queriam, também, se experimentar no gênero, furando aquele olhar enviesado de que falei. Agora o Profº. Rubens Lima Jr. (depois de ter dirigido, na UNIRIO, "Canções para um mundo novo" e "Canções para um amor perdido", ambos musicais) está montado, também projeto de alunos, "Cambaio", mais um musical do Chico, com estréia prevista pra Setembro. O curso de extensão de Técnica Vocal pra teatro musical tem suas turmas lotadas, então, demanda tem, falta a Academia acreditar nisso.

M - E de público?
J - Bem, eu tive todas as minhas sessões lotadas. Tivemos público até quando não tínhamos figurinos. Os dois últimos grandes sucessos de público na UNIRIO, pelo que se sabe são "A árvore dos mamulengos" (2007) com direção da Simone Kalil, musical, e "Roda Viva" (2005) com direção da Patrícia Zamproli, musical. Não preciso nem dizer que, no mercado, o musical já demarcou seu território.

M - Fale um pouco da sua experiência pessoal com o teatro musical.
J - Eu estreei, profissionalmente, como ator, em 2004, num infantil, no Teatro Ipanema (teatro onde, anos depois, eu fiz, também, a minha estréia profissional como diretor). Era o "Flicts" do Ziraldo e era um musical. De lá pra cá a minha relação com o musical só se estreitou; continuei as aulas de dança, entrei pra aula de canto (coisa que eu fazia meio que intuitivamente), enfim, eu estava absolutamente encantado com a gama de possibilidades, e de exigências, que aquele gênero me proporcionava. Trabalhei em alguns outros musicais – e, claro, não-musicais que também amo fazer. Em 2006, eu tinha acabado de entrar pra UNIRIO, quando, lendo o "Mar morto" do Jorge Amado, pensei que podia levá-lo à cena, comecei a adaptação e, quando me dei conta, ele era um musical que, em 2007, entrou em cartaz no Ipanema. Me vi, agora, às voltas com uma outra experiência – dirigir alguma coisa na Academia – e, novamente, o que se apresenta é um musical.

M - Perspectivas de outras produções no mesmo gênero?
J - Claro. O musical é sempre um gênero que marca e/ou divide uma fase na minha carreira; não posso negar o meu imenso prazer de fazer, como ator e/ou diretor. Não sei o que virá, não tô planejando nenhum espetáculo musical pra agora – além de continuar com o "Calabar" num projeto chamado "Circuito Nova Cena", estou no início de processo para uma montagem de "Um bonde chamado Desejo" de Tennessee Williams, pra Setembro – mas se, como das outras vezes, um deles se apresentar, não recusarei.

Entrevista realizada por Mariana Barcelos
Fórum Virtual de Literatura e Teatro

www.pacc.ufrj.br/literatura/entrevistas/entrevista_jefferson.php
Junho/2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Popular 2:

se "em terra de sapos, de cócoras com eles", em tempos de porcos, gripados com eles?

Oh, céus! O que fazer???

domingo, 9 de agosto de 2009

Conclusão:

O importante é que alguém ocupe o lugar do réu. Não importa quem. Nunca importou. O banco só não pode estar vazio. Se é justo ou não, também não interessa. Os homens de poder quase sempre são meio cegos, meio surdos e meio sem ação. Os homens de poder quase sempre não têm poder sobre si. Quem os julga? Quem os paga? Quem os demite? Quem manda no patrão? Quem interroga o interrogador? Costas-quentes. Bunda larga. Os homens de poder são imortais. E mesmo quando morrem, uma plaqueta os fazem lembrados. Foi assim com Jesus Cristo e assim é até hoje. Quando morremos, ganhamos lápides com epitáfios longos e quase sempre poéticos, mas nunca com poder. Porque poder é genético. Um rei passa o trono ao seu filho. Um faraó também. Manda na família, depois da morte do pai, o filho mais velho. Sabe-se que tem o poder. Mas não se sabe pra que ele serve. Logo, o importante é que a função seja desempenhada. Não importa por quem.

ELE
in.: Ensaio sobre a histeria.

sábado, 11 de abril de 2009

"Calabar, o elogio da traição"


de Chico Buarque e Ruy Guerra

com
Raphael Marins (Frei Manoel do Salvador)
Tamires Nascimento (Bárbara)
Jefferson Almeida (Sebastião do Souto)
Mariana Stolze (Anna de Amsterdam)
Henrique Juliano (Mathias de Albuquerque)
Eduardo Bastos (Holandês)
Rafael Janeiro (Holandês)
João Novaes (Maurício de Nassau)
Marcelo Atahualpa (Maurício de Nassau)
Hector Gomes (Henrique Dias)
Marcelo de Paula (Filipe Camarão)

direção de Jefferson Almeida
ass. direção de Tamires Nascimento
direção musical de Vicente Nucci
preparação vocal de Laura Lagub
arranjo vocal de "ode aos ratos" de Marcello Calldeira
figurinos de Dolores Marques
ambientação de Jefferson Almeida
iluminação de Yuri David
téc. de som Bruno Giorgi

banda
Vinícius Castro (Violão)
Julio Florindo (Contrabaixo)
Flávio Rigoni (Saxofone)
Marcelo Cebukim (Flauta Transversa)
Mateus Xavier (Percussão)


de 29/04 a 10/05


Sala Paschoal Carlos Magno - Palcão - UNIRIO
Av.: Pasteur, 436 - Fundos


de qua à sáb às 20hdom às 19h


entrada franca
(as senhas serão distribuídas 30min. antes de cada apresentação)

video
"Bárbara"

quarta-feira, 4 de março de 2009

"O rato do campo e o rato da cidade"


com Pedro Anton e Rogério Costa
da fábula homônima de La Fontaine
com texto de Paulo Fernando Mello
músicas de Renato Moraes
coreografias de Victor Maia
maquiagens de Marina Hodecker
iluminação de Yuri David
sob direção de Jefferson Almeida
numa produção da MEGA FESTAS


A peça narra a trajetória da crescete amizade entre os primos Barnabé, o rato do campo, e Bernardo, o rato da cidade, em meio a muita música e fantasia.
Por causa de uma doença, Bernardo vai passar uma temporada na casa do primo Barnabé. À partir daí - do encontro de dois mundos, a priori, absolutamente opostos - está armada uma série de confusões e desencontros em busca do final feliz.
A peça, assim como, originalmente, a fábula, é um tratado sobre a amizade e uma ode ao respeito às diferenças.


à partir de 07 de Março
sábados e domingos, 17h
R$20 (inteira) R$10 (meia)


Teatro Cândido Mendes
Rua Joana Angélica, 63 - Ipanema
2267-7610


preços especiais para grupos e escolas
2508-7610

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Popular,

ou seja, jargão, em suma, do conhecimento de todos, em outras palavras, que provém do povo: diz-me com quem andas que te direi quem és.

Será que o povo tem esse poder?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Conclusão:

esperar é um verbo muito desconfortável.

sábado, 31 de janeiro de 2009

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Tarde chuvosa?

Estação, filme, alguém, botafogo, Conceição, café, que, pão-de-batata, me, ame, escuro, verdade, judeus, muçulmanos,

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Luto

porque a Terra, hoje, é bem mais triste sem o Bruxo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Não sei...

Só porque chove muito e incansavelmente e a chuva parece, sempre, querer lavar; se é assim parece, então, que tudo está muito sujo.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Post esperançoso

... afinal o ano acaba de começar.